quarta-feira, 20 de maio de 2020

Conta a Lenda que Dormia

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino —
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
A cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

segunda-feira, 16 de abril de 2018

.: Desabafo :.

Sempre existe em cada um de nós uma palavra não dita, um sentimento inconfesso e reprimido, um desejo implícito que quer ter vida. O nosso eu interno precisa de ar. Precisa respirar um pouco aqui fora, no mundo onde talvez ele possa ser compreendido e amado. Mas no cotidiano das urgências e dos prazos, onde o Ter impera e o Ser vai perdendo mais e mais status, já não há muito espaço para a expressão do sentir.

E, se poucos são aqueles que param para ponderar acerca das próprias emoções e desejos, quem teria, nos dias de hoje, tempo e interesse de ouvir o desabafo do outro?

Na tentativa de sublimar os seus conflitos internos, os poetas versejam o que punge, os pintores delineiam as emoções em traços e tons, os escultores se esmeram em dar expressão concreta aos abstratos da alma, os músicos dão som aos ais e às alegrias mais profundas. Mas, e aqueles que não se inclinam às artes? A estas, que correspondem à esmagadora maioria de nós, resta a velha terapêutica da amizade: o desabafo.

Desabafar é fazer fluir a palavra para dar vazão a uma emoção afogada em nossa represa interior. A dor pode deslizar nas ondas das frases, a alegria pode transbordar dos verbos e dos substantivos mais delicados… O desejo, a frustração, tudo muda quando dito, quando confessado. A emoção recebe rajadas de luz. Mas poucos, infelizmente, são aqueles que, hoje, ao apregoarem ou até jurarem uma sincera amizade, emprestam seus ouvidos ao outro.

Penso que talvez a maioria de nós não perceba que quem desabafa não quer conselho. Não quer norte. Não quer reprimenda ou aplauso. Só quer saber que outro humano se importa. Que outro humano é capaz ouvir e talvez dimensionar a sua dor. Quer sentir que no mundo há outros que também sentem e que compreendem os seus vazios, ou as suas falsas plenitudes.

Talvez o que temamos seja ver no outro a nossa dor espelhada a que há muito não notamos, e que está abafada, aturdida, asfixiada pela pressa cotidiana, mas que, em silêncio, sangra. Talvez o que tenhamos, de fato, seja o medo de constatar a imensa humanidade que ainda resta em nós, embora nos cerquemos de máquinas e números e metas concretas.

Não ouvir, não querer ler no outro as linhas mais significativas do seu íntimo é prova incontestável de que a amizade inexiste. A amizade consiste na delicadeza do “estar disponível” para sentir o outro. Ela é o exercício da empatia.

Aquele que é incapaz de ouvir, por mais bem-sucedido que seja no mundo dos fatos, é ainda indigente nos terrenos da alma. É estrangeiro no solo da afeição. E nem percebe que, de tanto omitir-se de ouvir, a sua alma emudece e se esquece, um tanto mais e a cada dia, do existir.

[das coisas surgidas do opaco]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Quero estar solteiro, mas com você.



Quero que vá tomar cerveja com seus amigos para que no dia seguinte tenha ressaca e me peça que vá lhe ver porque deseja ter-me entre seus braços e que acariciemos um ao outro.

Quero que conversemos na cama pela manhã, sobre todo tipo de coisas, mas algumas vezes, pela tarde, quero que cada um faça o que quiser durante o dia.

Quero que me fale sobre as noites em que você sai com seus amigos. Que me conte que havia uma pessoa no bar que te olhava.

Quero que me mande mensagens quando estiver de pileque com seus amigos e que me diga besteiras, apenas para que possa ficar seguro de que eu também estou pensando em você.

Quero que ríamos enquanto fazemos amor. Que comecemos a rir porque estamos provando coisas novas e que não têm sentido.

Quero que estejamos com nossos amigos, para que pegue na minha mão e queira me levar a outro local, porque já não pode aguentar-se e tem vontade de fazer amor comigo ali mesmo. Quero ter de permanecer em silêncio porque há pessoas e ninguém pode nos ouvir.

Quero comer com você, que me faça querer falar sobre mim e que você fale sobre você. Quero que discutamos sobre qual é o menor: a costa norte ou a costa sul, a parte ocidental ou a oriental, o caminho completo ou apenas aquele trecho de treze dias.

Quero imaginar o apartamento de nossos sonhos, mesmo sabendo que provavelmente nunca vivamos juntos. Quero que me conte seus planos, esses que não têm nem pé, nem cabeça.

Quero surpreender-me dizendo “Pega suas coisas que vamos viajar nesse fim de semana”.

Quero ter medo com você. Fazer coisas que não faria com ninguém mais, porque com você me sinto seguro.

Voltar para casa muito bêbado depois de uma noite divertida com amigos. Para que coloque a mão no meu rosto, me beije, me use como travesseiro e me abrace bem forte durante a noite.

Quero que tenha sua vida para que decida viajar algumas semanas, apenas por capricho. Para que eu fique aqui, sozinho e chateado, desejando que salte sua carinha no Facebook me dizendo “oi”.

Não quero que sempre me convide para suas noitadas e não quero convidar você para as minhas. Assim, no dia seguinte, posso contar como foi minha noite e você também pode contar-me como foi a sua.

Quero algo que seja simples e, uma vez ou outra, complicada. Algo que, por alguns minutos, me faça fazer perguntas a mim mesmo, mas no momento que estiver com você em um mesmo local, desapareçam todas as dúvidas.

Quero que pense que sou bonito e que fique orgulhoso ao dizer que estamos juntos. Quero que me fale te amo e, acima de tudo, poder dizer isso a você.

Quero que me deixe andar na sua frente para que possa ver como meu corpo se mexe. Que me deixe abrir as janelas do meu carro no inverno, porque tremendo de frio alguma gordurinha balança e isso te faz sorrir.

Quero fazer planos sem saber se no fim os realizaremos. Estar em uma relação clara. Quero ser esse amigo que você adora ficar. Quero que siga tendo desejo de paquerar outras pessoas, mas que procure a mim para terminar o dia. Porque quero ir contigo para casa.

Quero ser aquela pessoa com quem você faz amor e depois dorme. A pessoa que te deseja paz quando está trabalhando e a que fica encantada quando você se perde no seu mundo de músicas.

Quero ter uma vida de solteiro com você. Porque nossa vida de casal seria igual às nossas vidas de solteiros de agora, só que juntos.

Assim seriam nossos dias...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

.: A Promessa :.

Deus, o que nos prometeis em troca de morrer? Pois o céu e o inferno nós já os conhecemos - cada um de nós quase em segredo de sonho já viveu um pouco do próprio apocalipse. E a própria morte. Fora das vezes em que quase morri para sempre, quantas vezes num silêncio humano minha alma agonizando esperava por uma morte que não vinha. E como escárnio, por ser o contrário em que minha alma sangrava, era quando o corpo mais florescia. Como se meu corpo precisasse dar ao mundo uma prova contrária de minha morte interna para esta ser mais secreta ainda. Morri de muitas mortes e mantê-las-ei em segredo até que a morte do corpo venha, e alguém, adivinhando, diga: este... este viveu.

.: A Doce Despedida :.

Sim, o amor acabou,
mas obrigado por ter começado.
Fui feliz porque te amei,
honrado por ter estado ao seu lado,
mas ainda que tua boca diga que me ama
o silêncio dos teus olhos aflige meu coração.

Houve um tempo que sorríamos muito
em que nossas mãos caminhavam unidas
como uma oração ao Deus da felicidade
e hoje, ainda que haja lágrimas
essa lembrança alivia a dor na despedida.

Peço perdão
se por acaso não cumpri a promessa da eternidade
porém fui eterno todas as vezes
que, entre um sussurro e outro,
ajoelhei diante do milagre dos teu beijos.

E crucificado
na cruz dos dias que não davam certo
me sentia um deus todas as noites
que ressuscitava em seu braços
o amor nosso de cada dia.

Não sei se posso ser seu amigo
depois ter sido seu amante,
mas depois de ter sido teu amante,
que graça tem ser seu amigo?

Não quero de volta as estrelas
que te dei
em troca de todas as vezes que você me levou ao céu.

O amor é um presente
que poucos podem ter, ou dar.
Amar é um ato de coragem
já desamar requer humildade. 

Quando se dá o último abraço
é porque já faltava braços há muito tempo.
Não quero entender o amor de minha parte,
só queria dizer obrigado.

sábado, 14 de janeiro de 2012

.: Na dúvida :.

Talvez se eu pensasse mais ''no deveria'' ter feito, Talvez hoje não estaria bem, Talvez nem estaria aqui, Mas talvez poderia ser algo bom, Algo que mudaria, Digo que mudou Mais que ainda continuo aqui No Talvez... Por.: Tiago Segatto

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

.: Assim :.

... E eu queria isso tudo mas quero mais ainda porque o quero contigo ao meu lado. E queria adormecer contigo nos meus braços e acordar com o brilho dos teus olhos e o calor do teu sorriso. E era só isso que queria entre raios de sol e lençóis amarrotados. E amava-te assim, numa manhã sem nuvens, descobrindo o teu corpo a pouco e pouco e gozando cada minuto dessa entrega única. E era assim que te queria... É assim que te quero.

.: Um desejo :.

Eu acredito nas casualidades, nos encontros, nas passagens. Nas conversas que temos, nas músicas que cantamos. No que somos e nunca deixamos de ser. Eu acredito que podemos ser muito fortes, muito mais. Podemos ser como todos, e o tudo pode ser capaz. Eu quero suas mãos, suas ideias e defeitos, que me ensine o seu jeito, enquanto aprende o meu. Quero que faça sentido, que seja proibido, mas que entre nós todos não exista lei. Quero ser tudo que tem graça, que tem gosto e da pra sentir. Quero o que mais me da vontade, e quero vontade pra prosseguir. Quero voar, mergulhar, morrer e matar a vontade de querer.

domingo, 20 de novembro de 2011

.: O mais novo amigo de infância :.

Sinta carinho, goste, adore e ame! Mas, jamais precise de alguém, além de você mesmo pra ser feliz... By T. Segatto

sábado, 18 de junho de 2011

.: Escreve-me :.

Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d’açucenas!

Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu já, e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d’oração!

“Amo-te!” Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d’amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então… brandas… serenas…
Cinco pétalas roxas de saudade…

(Florbela Espanca)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

.: Infinitude :.

"melhor que poemas...poemas ficam no papel,nossa historia vai ser como tatuagem...vai ser na pele...pele com pele"

domingo, 11 de abril de 2010

.: esperado ou desesperado :.

Vezemquando vem uma tristeza sem motivo, suor frio, boca seca, perigo
Quandoemvez há um porquê, mas a boca não quer falar
Quasesempre a gente cansa de sentir isso, mas não sabe se muda de pensamento ou de lugar
Sempreagora é algo que nunca existe ou até existe, mas a gente cansa de experimentar
Nuncanada é aquilo que até existe, mas faz sofrer tanto que a gente cansa de lembrar
Talvezquemsabe é a incerteza cruel que desespera e engole a sanidade de um ser
Tudoagoraemaisumpouco é meu desejo que sempre aconteça, mesmo que acabe comigo.

sábado, 10 de abril de 2010

.: Do que fomos :.

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "

sábado, 3 de abril de 2010

.: Do excesso de falta :.

"Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso."

sexta-feira, 2 de abril de 2010

.: assim :.

de sol a sol
soldado
de sal a sal
salgado
de sova a sova
sovado
de suco a suco
sugado
de sono a sono
sonado
sangrado
de sangue a sangue...

domingo, 28 de março de 2010

.: Fragmentos :.

"essa morte constante das coisas é o que mais me dói"

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

.: fragmentos :.

"É dessa massa que somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade"

.: fragmentos :.

"Não há alegria pública que valha uma boa alegria particular..."

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

.: fragmentos :.

"Em nome da tua ausência construi com loucura uma grande casa branca e ao longo das paredes te chorei"

de outro

.: fragmentos :.

"Sempre há alguma coisa que falta. Guarde isso sem dor, embora, em segredo, doa."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

.: Silêncio :.

De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme. só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: "meu Deus, mas como você me dói de vez em quando..."

.: Fragmentos :.

"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.”

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

.: Nesses Tempos :.

Jurei mentiras e sigo sozinho

Assumo os pecados

Os ventos do norte não movem moinhos

E o que me resta é só um gemido,
Minha vida, meus mortos

Meus caminhos tortos

Meu Sangue Latino e minh'alma cativa...
Rompi tratados e traí os ritos

Quebrei a lança e lancei no espaço

Um grito, um desabafo...
E o que me importa é não estar vencido

Minha vida, meus mortos

Meus caminhos tortos

Meu Sangue Latino e

Minh'alma cativa...

"in sangue latino"

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

.: Classificados :.

Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais.
Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere.
Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar.



P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

domingo, 30 de agosto de 2009

.: pós aurora :.

Noite assim, inteiras, intensas e solitárias.
Dias que vão e vem a espera de outras noites inteiras assim.
Quero a sua língua presa na minha,
Desfaça todos os seus sonhos de antes e misture-os agora com os meus.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

.: Da Inquietude :.

"Quis um poema que te dissesse,
Quis tempo novo para te dizer
Uma palavra que enlouquece,
Que oferece vida e faz morrer.

Amor, amor, teu nome antigo,
Teu nome breve e tão eterno,
Primavera agora,Verão amigo,
Amor, amor, sol de Inverno.

Procurei tantas madrugadas,
Encontrei manhãs para respirar,
Encontrei palavras caladas,
Encontrei amor para te cantar."

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

.: por vezes :.

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

.: de saudade :.

"Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses todo nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti..."

Florbela Espanca

domingo, 26 de julho de 2009

.: Você para falar de nós :.

Você não perguntou se eu podia, ou se devia.
Você não me diminuiu para se sentir mais forte.
Você não se escandalizou com a mentira; eu não completei a verdade.
Você não pensou no futuro, não pesou as conseqüências, não penou antes da hora.
Você não se protegeu do que desconhecia.
Não alertou que sofreria comigo, e que depois não sairia ilesa.
Você não me forçou a adivinhá-la.
Não apelou para o bom senso.
Você não me inventou, muito menos queimou o rascunho.
Você não me ameaçou com gentilezas.
Não me incriminou com seus temores, não explicou seus traumas.
Não se fez de vítima como se eu estivesse atacando.
Não, você me carregou nos ombros pela cintura. Os dois dedos dentro do meu cinto empurrando a dança.
Não me solicitou prova, testemunhas, sinais.
Não emprestou a Deus o que acontecia em segredo.
Não me julgou por antigos amores.
Não me condicionou a amar como estava acostumada.
Não esperou que eu pronunciasse o que vinha escrito em carta.
Você me olhava com os cabelos.
Você não pediu fiança, recompensa, para se entregar.
Você veio com a roupa do corpo, com o corpo ainda sem culpa.
Você me fechou em suas pernas e deixou a porta aberta do quarto.
Você me exilou no desejo para me repatriar aos poucos.
Você esqueceu as janelas chiando na cozinha.
Você foi incapaz de me constranger quando desisti de responder.
Você não me incitou a casar contigo, não me incitou a namorar.
Você não isolou minhas frases, não alegou que era uma fase.
Você me perdoou como se não existisse.
Você me fez existir para que perdurasse.
Você não me reclamou distante, não cobrou que mandasse notícias.
Você desaparecia quando desaparecia e voltava quando voltava.
Você me afirmava quando me confundia.
Você segurava a nudez para que subisse.
Você não me comparou a ninguém, muito menos aquilo que já fui.
Você não me subornou com a infância ou com o medo da morte.
Você não explorou meus segredos para usá-los.
Você não quis que falasse para preencher as falhas.
Você arredondou os defeitos pela pressa de cuidá-los.
Você foi generosa com os meus ouvidos, confiando mais no vento do que na palavra.
Você me permitiu.
Você me entendeu ao não entender.

Você não teve nada a ver comigo - finalmente eu não me repetia.

.: A vida como ela é :.

Era manhã cedo na vila e o comboio apitava na estação vomitando nas plataformas mulheres apressadas e homens distraídos. Mas aquele não era um comboio qualquer porque era um comboio especial. De todos os comboios que conheço era provavelmente o mais especial que havia. Vinha dos mesmos lugares que os outros e ia para os mesmos lugares que os outros. Mas era especial no meio de todos porque nenhum ambicionava nada enquanto aquele ambicionava tudo. E o seu maior sonho era ser um barco e navegar pelos mares.
Era manhã cedo na vila e o comboio apitava na estação vomitando nas plataformas mulheres apressadas e homens distraídos. E no alto daquele prédio cor de tempos passados, uma varanda tímida espreitava as mulheres que passavam, apressadas, e sentia o íntimo desejo de ter nascido como elas, mutantes, velozes, portáteis!
E sempre que era manhã cedo na vila e o comboio apitava na estação, varanda e comboio trocavam sonhos e desejos vivendo entre os dois a partilha de uma fantasia que os transformava respectivamente em barco e mulher à deriva pelo rio. E riam-se da pressa das mulheres e da distracção dos homens que não percebiam nada e que não aproveitavam os barcos e os mares para fugir ou para sonhar!
Desta rotina nasceu obviamente um amor enorme da varanda pelo comboio. E quando ele por alguma razão não vinha, a triste varanda perdia-se em divagações românticas e em ciúmes enlouquecidos, imaginando que o comboio era finalmente um barco e que alguma daquelas mulheres que ele transportava tinha descoberto o caminho direto para o seu coração... Aquele sofrimento era feroz e durava até à próxima manhã em que, cedo, a buzina ecoava pela estação. Só os pássaros que por ali pousavam testemunhavam estes desvarios e por toda a cidade já se comentava a loucura da varanda que não percebia que era apenas uma varanda!
Os tempos foram passando, o comboio foi fazer outras paradas e deu por si a fazer a linha da orla, ao lado do rio, e acabou mesmo por se esquecer que era comboio para se convencer que era um grande e forte barco, porque só via água!
Quanto à varanda, essa foi enlouquecendo sozinha à medida que percebeu que nunca seria mulher. A última vez que soube dela estava apaixonada por uma gaivota que ainda por cima só abusou da sua boa vontade. Hoje quando lá passo ainda olho para cima mas é raro a varanda reagir. Perdeu o juízo e agora vai deixando cair pedacinhos de si quando passa alguma mulher. Queria confortá-la mas não sei. O meu forte nunca foi varandas.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

.: Diferente eu não quero :.

Nha
tanta coisa eu tenho pra escrever aqui que poderia ficar horas enumerando suas qualidades, falando dos seu dons, dos seus talentos da sua sensibilidade e principalmente da sua capacidade de ser sempre uma criança...
... esse foi meu primeiro aniversario longe casa, eu senti muita vontade de o primeiro abraço desse meu dia fosse como nos antigos tempos, quando a mãe me abraçava na cozinha com o café da manhã pronto, logo em seguida em abraço mais timido do pai enquanto prepara a agua e o café para ir para o serviço, logo depois vinha voce com seus pijamas coloridos, sorrindo e dizendo: "feliz aniversário LEEEEE"... esse foi o presente que eu mais queria ter ganhado no dia 31, mas eu sei que ele ta ai guardado e eu vou ai buscar...

A vida me colocou um poquinho longe de casa, ops ai nunca foi uma casa, entao eu corrijo, a vida me colocou um pouquinho longe do nosso lar, coisa geografica apenas porque o meu coração sempre esteve ai com voces... e eu só estou fazendo isso pra um dia a gente ficar todos junto dinovo... agora neste instante eu estou muito feliz, embora nao possa negar que estou chorando, mas é uma lagrima doce, muito doce, lagrimas feitas das lembranças boas que só quem tem uma familia de verdade como nós é que pode entender o quanto foi e o quanto é bom ser um MARQUES RODRIGUES, né ?
quanta lembrança... lembro da gente esperando o portão da escola se abrir, lembro do dia que os meninos e as meninas da escola puderam enfim brincar juntos novamente simplesmente por que a gente nunca se deixou separar nem pela linha imaginavel que colocava os meninos na quadra e as meninas no gramado, ora, quem ia manter amarrado o laço de fita do seu vestido que sempre insistia em se soltar com o vento e brincar com seu cabelos.

Lembro da mãe preparando torrada todos os dias de manhã para colocar a gente na perua da escola, e como era cedo aquelas manhãs, ela me botava a meia, as vezes nos fazia dormir com calça de ir pra escola, pois os dias estavam muito frios, o dia que nao tinha pão fazia torrada de bolo, você lembra ? e ainda tinha o lanche que a gente sempre comia na volta da escola.
lembro do pai que sempre foi pai, até hoje mesmo cansado não nega passar o domingo trabalhando, faz questão da sua cerveja, e de seus filmes, que heroi esse homem, sei que tudo isso ele faz que a gente nao tenha a vida que ele teve, isso ja ouvimos varias vezes, mas de verdade mesmo, o que eu queria é ser sempre igual a ele....
o cidinho nem precisa falar muito né ? o ser danado aquele... nao cansa nunca da vida, nao perde nunca o humor e ta sempre sorrindo e fazendo a gente sorrir...
ta vendo quanta coisa simples? quanta coisa nossa. quanta coisa boa.
É a minha familia, é a minha vida é a coisa que eu mais AMO.

obrigado tá

Julho de 2008

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

.: Ipsis Litteris :.

Não se pode ter muitos amigos e mesmo os poucos amigos que se tem, não se podem ter tanto como nos apetecia. Para não passar mal, aprende-se a economia da amizade, ciência um bocado triste e um bocado simples que consiste em ampliar os gestos e os momentos de comunidade para compensar os grandes desertos de silêncio e de separação que são normais. Como por exempo? Como, por exemplo, abrir mesmo os braços e dar mesmo um abraço. Dizer mesmo na cara de alguém «Tu és um grande amigo» e ser mesmo verdade. Acho que não é de aproveitar todos os momentos como se fossem os únicos, porque isso seria uma forma de paixão, mas antes estarmos com os amigos, nos poucos momentos que se têm, como se nunca nos tivéssemos separado.
A amizade é uma condição que nunca pode ser excepcional. Tem de ser habitual e eterna e previsível. E a economia dela nota-se mais quando reparamos que, sempre que não estamos com os nossos amigos, estamos sempre a falar deles. É bom dizer bem de um amigo, sem que ele venha a saber que dissemos. E ter a certeza que ele faz o mesmo, pensando que nós não sabemos.
A amizade vale mais que a razão, o senso comum, o espírito crítico e tudo o mais que tantas vezes justifica a conversação, o convívio e a traição. A amizade tem de ser uma coisa à parte, onde a razão não conta. Ter um amigo é como ter uma certeza. Num mundo onde certezas, como é óbvio, não há.

.: De Olhos Fechados :.

Concede-me Senhor, a graça de ser bom,
De ser o coração singelo que perdoa,
A solícita mão que espalha, sem medidas,
Estrelas pela noite escura de outras vidas
E tira d´alma alheia o espinho que magoa.

.: :.

"És tu! És tu! Sempre vieste, enfim!
Oiço de novo o riso dos teus passos!
És tu que eu vejo a estender-me os braços
Que Deus criou pra me abraçar a mim!

Tudo é divino e santo visto assim...
Foram-se os desalentos, os cansaços...
O mundo não é mundo: é um jardim!
Um céu aberto: longes, os espaços!

Prende-me toda, Amor, prende-me bem!
Que vês tu em redor? Não há ninguém!
A Terra? - Um astro morto que flutua...

Tudo o que é chama a arder, tudo o que sente,
Tudo o que é vida e vibra eternamente
É tu seres meu, Amor, e eu ser tua!"
Florbela Espanca

(Para os meus pais Adão e Terezinha que completaram 30 anos de casados. Pela inspiração, pelo carinho, pela presença. Por ser... Obrigado)

.: Fragmentos :.

"Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres."

.: Fragmento :.

Que estranho destino é o meu que apenas me consente paixões ardentes e me faz esgotar em amores improváveis.

.: O mundo ou eu: um de nós segue à contramão :.

Pensando bem... somos ambos! Ando à contramão do mundo, que anda à contramão de mim. E as coisas vêm, assim, acima do limite de velocidade, em sentido contrário, em direção nem um pouco defensiva.

Defendo-me como posso, procuro um lugar no acostamento, mas não há, nesta pista, lugar em que se esteja seguro. Ligo o pisca, uso o cinto, respeito os limites (principalmente os meus), mas assim pareço um alienígena na via pública deste orbe sem lei. Os carros vêm e batem em mim. E motos, bicicletas, pedestres, caminhões, ônibus, naves espaciais, sapos-boi, cobras e lagartos... toda sorte de coisa que se mova e que possa provocar desordem no trânsito e alguma ojeriza, que não há como não enjoar nesta viagem.

O cinto de segurança amarra, o airbag sufoca e o pára-choque dá choque. Mas, mesmo assim, sigo à contramão do mundo, que ele está à contramão de tudo que valorizo. E dou carona a quem quiser e merecer, pois, cá dentro do meu carro, a vida ainda é bela e a rádio toca canções de amor.

.: Vida Dupla :.

.: Se existe amor certo é o amor às palavras. Confesso, aguardando penosa e justa penitência, que às vezes não consigo amar as palavras. Parece que se as palavras não existissem para chamar às coisas feias e desconfortáveis, as coisas feias e desconfortáveis não existiam. Oh, estupidez, claro que existiam e se não houvessem palavras para lhes chamar, decerto seriam infinitamente inventadas. Mas amar as palavras tem um enorme perigo. É fazer a vida andar atrás das palavras só porque elas são bonitas ou soam bem :.

.: O que restou da criança :.

Eu nasci com os pés tortos mas, com o passar dos anos, aprendi a pisar firme para escorregar menos.
Nasci cheio de medos, mas aprendi a controlar o choro e a esbravejar discursos de coragem para não demonstrá-los.
Aprendi a falar rápido e a andar rápido, mas demorei muito para sorrir.
Eu parecia frágil. Eu sou frágil. Superei a falta de força física com a aparência de pessoa forte.
A maior parte das pessoas me assutava, mas olhei tanto pra elas que percebi que elas tinham tanto medo quanto eu.
Enlouqueci durante muitos anos com a falta de respostas, mas criei minhas próprias verdades para sofrer menos.
Eu me sentia preso, amarrado em laços umbilicais. Precisei desatar os nós e fugir um pouco, para descobrir que alguns vínculos são eternos e que podem ser menos prejudiciais do que julgamos.
Eu quis crescer, sempre quis ser gente grande. E, na tentativa desesperada de olhar nos olhos do destino, cresci tão rápido que do passado só guardei cicatrizes

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Eu sem Mim

Eu costumo dizer que odeio clichês mas é mentira. Pareço revoltado ás vezes, mas não sou. Se alguém disser que me viu de pankake branco no MadameSatã nego até a morte! Leio muitas coisas que não entendo, mas leio. Vivo. Não sou sincero o tempo todo porque a maioria das pessoas prefere ser enganadas, mas sou leal a aqueles que me são queridos.. faço de acordo com o gosto do freguês. Não nego o que já fiz. Me orgulho de minhas experiências. Adoro, quando posso, assassinar a ortografia, minha linguagem é coloquial, mas estou preso à linguagem padrão pelo resto de meus dias! Tenho orgulho dos meus erros que corrigí e vergonha daqueles que não pude consertar. Apesar de afirmar que não creio em nada além da matéria e das ondas eletro magnéticas, ás vezes tenho medo de ficar só em casa de noite. Não acredito em verdades absolutas. É tão difícil conquistar o meu amor quanto conquistar o meu ódio, mas não sou uma pessoa indiferente. Acredito em sonhos, mas não em seus significados. Tenho bom gosto musical.. partindo do meu referencial! ando achando que estou meio louco. saber que tudo é efêmero me incomoda. Mas aceito.Gosto de moda mas odeio modismos, detesto o conceito das marcas. Amo filosofia, literatura clássica, arte moderna, a poesia abstrata de Byron, o realismo hediondo de Augusto dos Anjos e arquitetura gótica. Mas abstracionismo demais me irrita. Minha paixão maior em dias em que se ama uma pessoa desconhecida pelo conceito físico perfeito, uma suposição de bom caráter e por ser exoticamente interessante, tem sido meu aprendizado acadêmico e impessoal. Vivo um amor na forma mais plena possível. Aceito a ignorância mas tenho pca paciência com burrice. Política ocupa boa parte dos meus pensamentos e guiam meus passos em todos aspectos. Curiosamente Nietzche e Marx estão me aconselhando em todas as fases que já passei !!! Amigos não são tudo na minha vida, mas são parte fundamental dela. Amo minha família incondicionalmente. Não costumo comer carne de porco e odeio cheiro de leite fervido. Mas tomo leite ninho com nescau dos dois anos de idade até os dias atuais! e no mesmo copo!!! Adoro pão integral de cenoura com nutella!! Me orgulho de minha juventude, mas não costumo gostar de pessoas jovens. Acho que as vezes não acredito em Deus, antes tinha certeza. Não acredito em religião. Tenho cicatrizes que ainda doem. Não assisto comédias. Meu vício por cinema me faz passar muitas vezes por idiota. Tenho defeitos vergonhosos, ser mimado sempre foi a praga na minha vida! mas sei que também tenho qualidades significativas. Passei a acreditar em amor á primeira vista recentemente, agora estou certo que não acredito em amor à distância. Gosto de abraços sinceros. Valorizo quem merece, e procuro sempre construir relações "ad aeternum". Nunca estive solteiro por mais de 2 meses. Desprezo falsos pudores e falsa modéstia. Não leio horóscopo e não acredito em astrologia mas o meu signo - Leão - diz quase tudo sobre a minha personalidade. Decorei a ordem das preposições, as páginas dos trechos que mais gostei dos meus livros preferidos, letras de músicas, poemas e números de telefones que não ligo mais - sou compulsivo no que gosto até enjoar. Incisivo nas minhas opiniões ao ponto de incomodar; mas apenas incomodo aqueles que não respeitam opiniões contrárias. A vaidade é o pecado que mais cometo no meu dia a dia. Extremamente anti-social quando em ambiente hostil, antipático é o que dizem aqueles que me conhecem só de vista, manso demais e covarde aqueles que me conhecem bem!!! introspectivo. Odeio ser objeto de julgamentos por pessoas incompetentes para isso. Aprendí que não sei viver só, e que o ódio, a raiva e sentimentos afins é a única coisa capaz de fazer eu expressar meus reais sentimentos , como esse texto! Já fui muitos, hoje sou poucos, espero que chegue logo um dia em que eu possa ser apenas eu, e tudo que isso implica...

quinta-feira, 12 de julho de 2007

.: Veja se você se lembra do que estou falando :.

Foi-se o tempo das amizades de infância, firmado pela eternidade, onde apenas pelo olhar se estabelecia uma comunicação, em que as confidências seguiam ao túmulo.Não sei devido ao quê exatamente, mas tenho meus palpites. Acredito que esse excesso de informação desse mundo globalizado em que precisamos nos superar a todo o momento, nos falta tempo para o diálogo sincero, o ombro amigo, abraço forte, as risadas descompromissadas.A vida diária nos afasta das pessoas de tal maneira que quando percebemos não há mais assunto e apenas um "oi" começa e encerra a conversa. Fazemos até algumas amizades que agora tem nomenclatura específica: amizade de balada, amizade de trabalho, amizade de faculdade, amizade colorida, não se vê mais amizade de vida.Mandamos e-mails generalizados para não esquecer de ninguém, criamos vínculos digitais para não perdemos a solidão.Se um amigo diz ao outro que o ama, pode ser mal interpretado, por isso, prefere calar-se.Os valores vão se perdendo diante de tanta violência, desconfiança, oportunismo e nos tornarmos cada vez mais seres solitários.Precisamos rever nossas vidas, abrir o coração, procurar os velhos amigos, criar novos, sendo confiáveis, desavergonhados do amor, aceitar as pessoas como elas são e respeitar as crenças, os limites, os ideais. Tenho certeza que assim seremos mais felizes.

.: Lain Casa :.

… e naquela casa, era a casa dela. E nada, depois que a vi pela primeira vez e ninguém que eu conheci depois conseguiu me deixar tão assustado e confuso. Porque ninguém que conheci me fez sentir tão certo… tão inseguro… tão importante e tão insignificante...

.: Pensando bem eu penso em nós :.

...eu tava aqui tentando não pensar no teu sorriso, mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido, e te liguei, me encontro tão ferido, mas te vejo ai também em carne viva...
...será que não tem jeito?
...esse amor ainda nem nasceu direito pra morrer assim...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

.:Meus Desertos:.

Meus desertos tem flores
Eu não mentiria se afirmasse
Que as melhores flores
Que trago em mim
Estão nos meus desertos
Pois é neles que moram
Minhas verdades
E neles que estão expostas
As minhas mentiras.

Nos meus desertos
Estão as coisas que sou.
Mas nem todos tem olhos
Para ver e entender
As flores dos desertos
Apenas enxergam as flores catalogadas
Sentem apenas o aroma
Para os quais foram programados.

Como podem dizer da beleza
Aqueles que adoram padrões ?
Como podem ver a vida
Os que só conseguem ver
Coisas e fatos para os quais
Tiveram suas visões adestradas ?

Meus desertos tem flores
E me parece natural que vivendo
Entre humanos
Elas tenham espinhos.
Flores não são para todos
Só para aqueles que sabem
Que também tem seus desertos.

By Sir Ale Max

.:Só queria falar isso:.

quanto mais nos conhecemos, mais vemos que o que realmente fomos não significa nada, pois a cada descoberta se evidencia não só a angustia do não saber e do não viver mas também a ansia de querer ser aquilo que esta descobrindo o que é....
Quando começamos a medir e pesar nossos sentimentos, não vamos a lugar nenhum. Haverá sempre uma luta cerrada entre o coração que quer viver e a razão que mede conseqüências. Medindo dificuldades, não fazemos nada.

falei

.:Solidão:.

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...
Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma...

.:Meus Amigos:.

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que senta e espera a chegada da lua cheia. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

terça-feira, 22 de agosto de 2006


.:Metades:.
Não gosto de meias palavras. Tampouco simpatizo com o que é "meia-boca", com o que é "meia-sola". Fico receoso com os meios-termos, com as meias-tintas. Fotos de meio-corpo escondem a metade. Meia-estação é um saco - vírus e viroses andam à solta -. Andar no meio-fio é um perigo. Meias verdades não são mais verdades do que uma mentira qualquer.

Tudo que começa por "meio" já começa cinqüenta por cento mais perto do fim. Já começa com apenas cinqüenta por cento da capacidade, da confiabilidade e da resistência. Já começa com cinqüenta por cento a menos de chance de dar certo. "Meio que trágico" e "meio que sublime" são perpendiculares; se encontram sem cerimônia e, ali, já não se sabe o que são.

Viver de meias verdades, de meias palavras, de meias-solas? Não, é uma idéia de meia-tigela. Minha "cara-metade" está colada à sua análoga, firme e forte em cima do pescoço. Sem essa de viver a vida pela metade. Ela tem é que ser vivida em sua plenitude: palavras, bocas, solas, termos, tintas, corpos, estações, fios, verdades. Do contrário, lá se vai a metade da graça.

sábado, 12 de agosto de 2006

domingo, 6 de agosto de 2006

.:Estou acima de Atlântida e abaixo do Olimpo.
Sei que às vezes minhas atitudes diante dos outros ou até a interiorização dos meus questionamentos podem revelar o acuado peixe que me sinto ser, nadando com braços que se quebram com o mínimo esforço de tentar alcançar os corais serenos da compreensão pessoal e alheia; as minhas barbatanas se estilhaçam, enferrujam, se definham ou atrofiam nas maiores tentativas de lutar pelo que sou ou com quem almejo ao menos me parecer; meus olhos se cansam de olhar para mim, ora com ar de gracejo próprio, ora com menosprezo e desdém pela discórdia que se enraíza entre minha razão e meus sentimentos. Tempos que quando percebo, captando fluído externos, me parecem remotos, mas são tão atuais quanto minha própria imaginação em um sonho de mil anos à frente.
Sinto-me como o tubarão impulsivo, o lobo faminto, o leão voraz, a serpente venenosa, pois me engano enquanto brinco de viver sem imaginar de que comportamentos mais adequados me devem munir para tentar abrandar minha convivência com aqueles que me engalfinham sem remorso.
Abaixo dos deuses, ou do Deus... Nada posso fazer. Parecem ações incontroláveis as que pratico na dança do aprender, vezes que me sinto como o anjo da ajuda àqueles que me cercam, outras que me sinto como a pedra inerte que com intuito fútil derruba os andantes que não a observam com melhores atenções, outras vezes que me sinto como um indigno de merecer o diploma da harmonia polida que a vida oferta em delineios da História. Mas o que me faz grande ou pequeno não sou eu próprio, não é de mim mesmo... A minha grandeza de alma, de espírito; o meu caráter puro; meu saber formoso; meu olhar sincero; meu pensar receoso; minha dúvida inocente... Nada do que tenho ou sou a mim pertence. Nada do que possuo, a mim cabe, uma vez que tudo o que se escreve como sendo eu na forma física da silhueta masculina, nas palavras gentis que se adjetivam à pessoa que todos acham conhecer, nos desenhos rebuscados de criança intérprete do real, uma vez que tudo isso e mais um pouco do muito que não se entende se esboça como descrição impessoal daqueles que observam e tentam desconfigurar o inimaginável... Devo ao universo de criaturas intocáveis que açambarcam meu caminho.
Quando eu pensava ter encontrado a resposta do que devo ser e acreditava que meu perfil era mártir, novas pessoas - imperfeitas em seu primor, saudáveis em sua suas debilidades, únicas em sua universalização, majestosas em sua penúria - me ensinam através do que são, a ser maior do que eu mesmo acreditava poder um dia sequer alcançar ser. Pelo que respondo "como sou" revelando que nada sou, senão o melhor e o pior de cada um daqueles que me presenteiam com sua convivência, visto que meu crescimento está no que venho aprendendo até com meus erros e com os dos meus semelhantes, aos quais, a todos por herança de uma mesma obra natural perfeita e grandiosa, tenho o prazer e o orgulho em virtudes e desventuras, de chamar de irmãos.
O mundo não seria o que é sem cada um de vocês que me permitem estar vivo por suas existências. O meu mundo foi construído pelas suas mãos e aperfeiçoado pelo que de mais precioso cada um me ensinou e continua ensinando!:.
.:Bobagem achar que na vidas tudo precisa ter sentido:.

Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que eu não era.
Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil.
Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu!
...uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de...

quinta-feira, 27 de julho de 2006

.: Falando de Mim :.

.:Sou eu!
Ser pensante que gira, que mira na ira dos acontecimentos da vida.
Sou eu!
Lembrando de algo que se foi, me contemplando em solidão, caindo no pranto de saudade, buscando nos outros o que gostaria que buscassem em mim...
Me traduzo em linha torta, me viro de cabeça pra baixo.
Me alinho sozinho como nunca devia ter feito.
Devagar o mundo me consome...
Devagar a vida me permite...
Devagar as pessoas me evitam...
Devagar se cala a voz que persiste em gritar...
Oco, pouco, louco sonhador!
Oco, pouco sem vontades!
Ouço soluçar em maremotos que me mostram verdades...
As minhas verdades...
A minha cena, a minha enterrada existência!
Ainda lembro que sou eu quem me permite sonhar, mesmo que sonhos "impróprios" prefiro a minha lambança!
Mundo feroz, tempo vazio, perca de tempo.
Tempos de talvez, e talvez não tenha tempo pra ser feliz, sou feliz assim, perante a reprovação dos "normais".
Ouço reluzes...
Existo na minha própria farsa...
Me prometo tentar, mesmo erradamente, eu tento!
Ainda lembro que antes de qualquer mundo que possa existir, existe o meu próprio mundo, que é nele que vivo, é nele que amo, que busco minha importância...
Eu não sou cego, sou eu que me realizo, ainda lembrando que posso ser fracassado na visão dos "exatos" eu existo, pois só eu sou eu...
Assim desse jeito silencioso!!:.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

.:Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei naquilo que existe
entre o núme
ro um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio:.

terça-feira, 25 de julho de 2006

.: Durante o vento que soprou
Uni minhas mãos ásperas,
Andei assim em fingido vôo
Sabendo-me entre duas castas.
Vim buscar o que perdi
Entre as coisas que te dei.

Refúgio de minhas ilusões
Dédalo infinito de paixões.
Abstrato modo de se ver
Difuso e claro ao mesmo tempo,
Espero conhecer bem o porquê,
Sinto novamente soprar o vento :.
Apaixone-se definitivamente pelo seu sonho - o sonho de ninguém deve ser mais apaixonante que o seu.
Apaixone-se pelo seu talento - mesmo que seu lado crítico insista para você escolher realizar outras coisas mais "convenientes".
Apaixone-se mais pela viagem do que pela chegada a seu destino - a primeira é garantida.
Apaixone-se pelo seu corpo - mesmo que ele esteja fora de forma, pois de "qualquer forma" ele é a única casa que você realmente possui.
Desapaixone-se de seus medos - eles minam sua alegria de viver.
Apaixone-se pelas suas memórias mais deliciosas - ninguém pode tirá-las de dentro de você e elas são excelentes fontes de inspiração em momentos de dor.
Apaixone-se por aquelas besteiras saudáveis que passam por sua mente entre um e outro momento de estresse - elas ajudam a sobreviver!
Apaixone-se pelo sol - ele é fiel, gratuito, absolutamente disponível e dá prazer.
Apaixone-se por alguém - não espere alguém se apaixonar antes por você só por garantia e segurança.
Apaixone-se pelo seu próprio projeto de vida - acredite, não dá certo fazer isto a dois.
Apaixone-se pela dança da vida, que está sempre em movimento dentro da gente, mas que por defesas nós teimamos em aprisionar.
Apaixone-se mais pelo significado das coisas que você conquistar do que pelo seu valor material.
Apaixone-se por suas idéias - mesmo que tenham dito que elas não serviam pra nada.
Apaixone-se por seus pontos fortes - mesmo que os pontos fracos insistam em ficar em alto relevo no seu cérebro.
Apaixone-se pela idéia de buscar verdadeiramente momentos felizes - felicidade encontra-se de sobra nas prateleiras de seus recursos interiores.
Apaixone-se pela música que você pode ser para alguém...
Apaixone-se por SER HUMANO!
Apaixone-se definitivamente por VOCÊ!

sábado, 22 de julho de 2006

Desejo uma fotografia.
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.
Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.
Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...Não...
Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.... Posted by Picasa
quero sempre poder lembrar de momentos bom e dar os sorriso que me lembro ter dado um dia na minha infância.
Pequenos momentos é que fazem a vida grande e esperar grandes feito deixa a vida pequena.
PAI, EU TE AMO... Posted by Picasa

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida e a maior empresa do mundo. Só você pode evitar que ela vá a falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torce por você. Gostaria que você sempre lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalho sem fadiga, relacionamentos sem decepções.
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, seguranças no palco do medo amor no desencontros.
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso , mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso , mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos , mas encontrar alegria no anonimato.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida apesar de todos os desafios,
incompreensões e período de crise.
Ser feliz não é uma casualidade do destino mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.
Ser feliz não é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar um deserto fora de si mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma e agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir uma crítica, mesmo que injusta, é beijar os filho
s, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.
Ser feliz é deixar viver a criança livre alegre e simples que mora dentro de cada um de nós.
É ter maturidade para falar: eu errei!
É ter ousadia para dizer: me perdoe!
É ter sensibilidade para expressar: eu preciso de você!
É ter capacidade de dizer: eu te amo!
Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz.
Que nas suas prim
averas você seja amante da alegria.
Que nos seus inve
rnos, você seja amigo da sabedoria. E você ficará cada vez mais apaixonado pela vida. E descobrira que:
Ser feliz não é ter uma vida perfeita mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para esculpir a serenidade.
Usar a dor para lapidar o prazer.
Usar a inteligência.
Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de
ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível e...
Você é um ser humano especial !!!

Amo vc Meu amigo....
Estes são: o futuro jornalista Davi e o futuro Publicitario Marcelo...
E uma parte fundamental da minha vida...
O que seria da vida se não fosse os amigos de verdade ? Posted by Picasa
Aniversário do Luciano...
O bom da vida é saber que temos pessoas especiais e que nos querem bem...
Feliz Aniversario Lú...