"Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses todo nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti..."
Florbela Espanca
.: O tempo não cura tudo, aliás o tempo não cura nada, o tempo só tira o incurável do centro das atenções:.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
.: Você para falar de nós :.
Você não perguntou se eu podia, ou se devia.
Você não me diminuiu para se sentir mais forte.
Você não se escandalizou com a mentira; eu não completei a verdade.
Você não pensou no futuro, não pesou as conseqüências, não penou antes da hora.
Você não se protegeu do que desconhecia.
Não alertou que sofreria comigo, e que depois não sairia ilesa.
Você não me forçou a adivinhá-la.
Não apelou para o bom senso.
Você não me inventou, muito menos queimou o rascunho.
Você não me ameaçou com gentilezas.
Não me incriminou com seus temores, não explicou seus traumas.
Não se fez de vítima como se eu estivesse atacando.
Não, você me carregou nos ombros pela cintura. Os dois dedos dentro do meu cinto empurrando a dança.
Não me solicitou prova, testemunhas, sinais.
Não emprestou a Deus o que acontecia em segredo.
Não me julgou por antigos amores.
Não me condicionou a amar como estava acostumada.
Não esperou que eu pronunciasse o que vinha escrito em carta.
Você me olhava com os cabelos.
Você não pediu fiança, recompensa, para se entregar.
Você veio com a roupa do corpo, com o corpo ainda sem culpa.
Você me fechou em suas pernas e deixou a porta aberta do quarto.
Você me exilou no desejo para me repatriar aos poucos.
Você esqueceu as janelas chiando na cozinha.
Você foi incapaz de me constranger quando desisti de responder.
Você não me incitou a casar contigo, não me incitou a namorar.
Você não isolou minhas frases, não alegou que era uma fase.
Você me perdoou como se não existisse.
Você me fez existir para que perdurasse.
Você não me reclamou distante, não cobrou que mandasse notícias.
Você desaparecia quando desaparecia e voltava quando voltava.
Você me afirmava quando me confundia.
Você segurava a nudez para que subisse.
Você não me comparou a ninguém, muito menos aquilo que já fui.
Você não me subornou com a infância ou com o medo da morte.
Você não explorou meus segredos para usá-los.
Você não quis que falasse para preencher as falhas.
Você arredondou os defeitos pela pressa de cuidá-los.
Você foi generosa com os meus ouvidos, confiando mais no vento do que na palavra.
Você me permitiu.
Você me entendeu ao não entender.
Você não teve nada a ver comigo - finalmente eu não me repetia.
Você não me diminuiu para se sentir mais forte.
Você não se escandalizou com a mentira; eu não completei a verdade.
Você não pensou no futuro, não pesou as conseqüências, não penou antes da hora.
Você não se protegeu do que desconhecia.
Não alertou que sofreria comigo, e que depois não sairia ilesa.
Você não me forçou a adivinhá-la.
Não apelou para o bom senso.
Você não me inventou, muito menos queimou o rascunho.
Você não me ameaçou com gentilezas.
Não me incriminou com seus temores, não explicou seus traumas.
Não se fez de vítima como se eu estivesse atacando.
Não, você me carregou nos ombros pela cintura. Os dois dedos dentro do meu cinto empurrando a dança.
Não me solicitou prova, testemunhas, sinais.
Não emprestou a Deus o que acontecia em segredo.
Não me julgou por antigos amores.
Não me condicionou a amar como estava acostumada.
Não esperou que eu pronunciasse o que vinha escrito em carta.
Você me olhava com os cabelos.
Você não pediu fiança, recompensa, para se entregar.
Você veio com a roupa do corpo, com o corpo ainda sem culpa.
Você me fechou em suas pernas e deixou a porta aberta do quarto.
Você me exilou no desejo para me repatriar aos poucos.
Você esqueceu as janelas chiando na cozinha.
Você foi incapaz de me constranger quando desisti de responder.
Você não me incitou a casar contigo, não me incitou a namorar.
Você não isolou minhas frases, não alegou que era uma fase.
Você me perdoou como se não existisse.
Você me fez existir para que perdurasse.
Você não me reclamou distante, não cobrou que mandasse notícias.
Você desaparecia quando desaparecia e voltava quando voltava.
Você me afirmava quando me confundia.
Você segurava a nudez para que subisse.
Você não me comparou a ninguém, muito menos aquilo que já fui.
Você não me subornou com a infância ou com o medo da morte.
Você não explorou meus segredos para usá-los.
Você não quis que falasse para preencher as falhas.
Você arredondou os defeitos pela pressa de cuidá-los.
Você foi generosa com os meus ouvidos, confiando mais no vento do que na palavra.
Você me permitiu.
Você me entendeu ao não entender.
Você não teve nada a ver comigo - finalmente eu não me repetia.
.: A vida como ela é :.
Era manhã cedo na vila e o comboio apitava na estação vomitando nas plataformas mulheres apressadas e homens distraídos. Mas aquele não era um comboio qualquer porque era um comboio especial. De todos os comboios que conheço era provavelmente o mais especial que havia. Vinha dos mesmos lugares que os outros e ia para os mesmos lugares que os outros. Mas era especial no meio de todos porque nenhum ambicionava nada enquanto aquele ambicionava tudo. E o seu maior sonho era ser um barco e navegar pelos mares.
Era manhã cedo na vila e o comboio apitava na estação vomitando nas plataformas mulheres apressadas e homens distraídos. E no alto daquele prédio cor de tempos passados, uma varanda tímida espreitava as mulheres que passavam, apressadas, e sentia o íntimo desejo de ter nascido como elas, mutantes, velozes, portáteis!
E sempre que era manhã cedo na vila e o comboio apitava na estação, varanda e comboio trocavam sonhos e desejos vivendo entre os dois a partilha de uma fantasia que os transformava respectivamente em barco e mulher à deriva pelo rio. E riam-se da pressa das mulheres e da distracção dos homens que não percebiam nada e que não aproveitavam os barcos e os mares para fugir ou para sonhar!
Desta rotina nasceu obviamente um amor enorme da varanda pelo comboio. E quando ele por alguma razão não vinha, a triste varanda perdia-se em divagações românticas e em ciúmes enlouquecidos, imaginando que o comboio era finalmente um barco e que alguma daquelas mulheres que ele transportava tinha descoberto o caminho direto para o seu coração... Aquele sofrimento era feroz e durava até à próxima manhã em que, cedo, a buzina ecoava pela estação. Só os pássaros que por ali pousavam testemunhavam estes desvarios e por toda a cidade já se comentava a loucura da varanda que não percebia que era apenas uma varanda!
Os tempos foram passando, o comboio foi fazer outras paradas e deu por si a fazer a linha da orla, ao lado do rio, e acabou mesmo por se esquecer que era comboio para se convencer que era um grande e forte barco, porque só via água!
Quanto à varanda, essa foi enlouquecendo sozinha à medida que percebeu que nunca seria mulher. A última vez que soube dela estava apaixonada por uma gaivota que ainda por cima só abusou da sua boa vontade. Hoje quando lá passo ainda olho para cima mas é raro a varanda reagir. Perdeu o juízo e agora vai deixando cair pedacinhos de si quando passa alguma mulher. Queria confortá-la mas não sei. O meu forte nunca foi varandas.
Era manhã cedo na vila e o comboio apitava na estação vomitando nas plataformas mulheres apressadas e homens distraídos. E no alto daquele prédio cor de tempos passados, uma varanda tímida espreitava as mulheres que passavam, apressadas, e sentia o íntimo desejo de ter nascido como elas, mutantes, velozes, portáteis!
E sempre que era manhã cedo na vila e o comboio apitava na estação, varanda e comboio trocavam sonhos e desejos vivendo entre os dois a partilha de uma fantasia que os transformava respectivamente em barco e mulher à deriva pelo rio. E riam-se da pressa das mulheres e da distracção dos homens que não percebiam nada e que não aproveitavam os barcos e os mares para fugir ou para sonhar!
Desta rotina nasceu obviamente um amor enorme da varanda pelo comboio. E quando ele por alguma razão não vinha, a triste varanda perdia-se em divagações românticas e em ciúmes enlouquecidos, imaginando que o comboio era finalmente um barco e que alguma daquelas mulheres que ele transportava tinha descoberto o caminho direto para o seu coração... Aquele sofrimento era feroz e durava até à próxima manhã em que, cedo, a buzina ecoava pela estação. Só os pássaros que por ali pousavam testemunhavam estes desvarios e por toda a cidade já se comentava a loucura da varanda que não percebia que era apenas uma varanda!
Os tempos foram passando, o comboio foi fazer outras paradas e deu por si a fazer a linha da orla, ao lado do rio, e acabou mesmo por se esquecer que era comboio para se convencer que era um grande e forte barco, porque só via água!
Quanto à varanda, essa foi enlouquecendo sozinha à medida que percebeu que nunca seria mulher. A última vez que soube dela estava apaixonada por uma gaivota que ainda por cima só abusou da sua boa vontade. Hoje quando lá passo ainda olho para cima mas é raro a varanda reagir. Perdeu o juízo e agora vai deixando cair pedacinhos de si quando passa alguma mulher. Queria confortá-la mas não sei. O meu forte nunca foi varandas.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
.: Diferente eu não quero :.
Nha
tanta coisa eu tenho pra escrever aqui que poderia ficar horas enumerando suas qualidades, falando dos seu dons, dos seus talentos da sua sensibilidade e principalmente da sua capacidade de ser sempre uma criança...
... esse foi meu primeiro aniversario longe casa, eu senti muita vontade de o primeiro abraço desse meu dia fosse como nos antigos tempos, quando a mãe me abraçava na cozinha com o café da manhã pronto, logo em seguida em abraço mais timido do pai enquanto prepara a agua e o café para ir para o serviço, logo depois vinha voce com seus pijamas coloridos, sorrindo e dizendo: "feliz aniversário LEEEEE"... esse foi o presente que eu mais queria ter ganhado no dia 31, mas eu sei que ele ta ai guardado e eu vou ai buscar...
A vida me colocou um poquinho longe de casa, ops ai nunca foi uma casa, entao eu corrijo, a vida me colocou um pouquinho longe do nosso lar, coisa geografica apenas porque o meu coração sempre esteve ai com voces... e eu só estou fazendo isso pra um dia a gente ficar todos junto dinovo... agora neste instante eu estou muito feliz, embora nao possa negar que estou chorando, mas é uma lagrima doce, muito doce, lagrimas feitas das lembranças boas que só quem tem uma familia de verdade como nós é que pode entender o quanto foi e o quanto é bom ser um MARQUES RODRIGUES, né ?
quanta lembrança... lembro da gente esperando o portão da escola se abrir, lembro do dia que os meninos e as meninas da escola puderam enfim brincar juntos novamente simplesmente por que a gente nunca se deixou separar nem pela linha imaginavel que colocava os meninos na quadra e as meninas no gramado, ora, quem ia manter amarrado o laço de fita do seu vestido que sempre insistia em se soltar com o vento e brincar com seu cabelos.
Lembro da mãe preparando torrada todos os dias de manhã para colocar a gente na perua da escola, e como era cedo aquelas manhãs, ela me botava a meia, as vezes nos fazia dormir com calça de ir pra escola, pois os dias estavam muito frios, o dia que nao tinha pão fazia torrada de bolo, você lembra ? e ainda tinha o lanche que a gente sempre comia na volta da escola.
lembro do pai que sempre foi pai, até hoje mesmo cansado não nega passar o domingo trabalhando, faz questão da sua cerveja, e de seus filmes, que heroi esse homem, sei que tudo isso ele faz que a gente nao tenha a vida que ele teve, isso ja ouvimos varias vezes, mas de verdade mesmo, o que eu queria é ser sempre igual a ele....
o cidinho nem precisa falar muito né ? o ser danado aquele... nao cansa nunca da vida, nao perde nunca o humor e ta sempre sorrindo e fazendo a gente sorrir...
ta vendo quanta coisa simples? quanta coisa nossa. quanta coisa boa.
É a minha familia, é a minha vida é a coisa que eu mais AMO.
obrigado tá
tanta coisa eu tenho pra escrever aqui que poderia ficar horas enumerando suas qualidades, falando dos seu dons, dos seus talentos da sua sensibilidade e principalmente da sua capacidade de ser sempre uma criança...
... esse foi meu primeiro aniversario longe casa, eu senti muita vontade de o primeiro abraço desse meu dia fosse como nos antigos tempos, quando a mãe me abraçava na cozinha com o café da manhã pronto, logo em seguida em abraço mais timido do pai enquanto prepara a agua e o café para ir para o serviço, logo depois vinha voce com seus pijamas coloridos, sorrindo e dizendo: "feliz aniversário LEEEEE"... esse foi o presente que eu mais queria ter ganhado no dia 31, mas eu sei que ele ta ai guardado e eu vou ai buscar...
A vida me colocou um poquinho longe de casa, ops ai nunca foi uma casa, entao eu corrijo, a vida me colocou um pouquinho longe do nosso lar, coisa geografica apenas porque o meu coração sempre esteve ai com voces... e eu só estou fazendo isso pra um dia a gente ficar todos junto dinovo... agora neste instante eu estou muito feliz, embora nao possa negar que estou chorando, mas é uma lagrima doce, muito doce, lagrimas feitas das lembranças boas que só quem tem uma familia de verdade como nós é que pode entender o quanto foi e o quanto é bom ser um MARQUES RODRIGUES, né ?
quanta lembrança... lembro da gente esperando o portão da escola se abrir, lembro do dia que os meninos e as meninas da escola puderam enfim brincar juntos novamente simplesmente por que a gente nunca se deixou separar nem pela linha imaginavel que colocava os meninos na quadra e as meninas no gramado, ora, quem ia manter amarrado o laço de fita do seu vestido que sempre insistia em se soltar com o vento e brincar com seu cabelos.
Lembro da mãe preparando torrada todos os dias de manhã para colocar a gente na perua da escola, e como era cedo aquelas manhãs, ela me botava a meia, as vezes nos fazia dormir com calça de ir pra escola, pois os dias estavam muito frios, o dia que nao tinha pão fazia torrada de bolo, você lembra ? e ainda tinha o lanche que a gente sempre comia na volta da escola.
lembro do pai que sempre foi pai, até hoje mesmo cansado não nega passar o domingo trabalhando, faz questão da sua cerveja, e de seus filmes, que heroi esse homem, sei que tudo isso ele faz que a gente nao tenha a vida que ele teve, isso ja ouvimos varias vezes, mas de verdade mesmo, o que eu queria é ser sempre igual a ele....
o cidinho nem precisa falar muito né ? o ser danado aquele... nao cansa nunca da vida, nao perde nunca o humor e ta sempre sorrindo e fazendo a gente sorrir...
ta vendo quanta coisa simples? quanta coisa nossa. quanta coisa boa.
É a minha familia, é a minha vida é a coisa que eu mais AMO.
obrigado tá
Julho de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
.: Ipsis Litteris :.
Não se pode ter muitos amigos e mesmo os poucos amigos que se tem, não se podem ter tanto como nos apetecia. Para não passar mal, aprende-se a economia da amizade, ciência um bocado triste e um bocado simples que consiste em ampliar os gestos e os momentos de comunidade para compensar os grandes desertos de silêncio e de separação que são normais. Como por exempo? Como, por exemplo, abrir mesmo os braços e dar mesmo um abraço. Dizer mesmo na cara de alguém «Tu és um grande amigo» e ser mesmo verdade. Acho que não é de aproveitar todos os momentos como se fossem os únicos, porque isso seria uma forma de paixão, mas antes estarmos com os amigos, nos poucos momentos que se têm, como se nunca nos tivéssemos separado.
A amizade é uma condição que nunca pode ser excepcional. Tem de ser habitual e eterna e previsível. E a economia dela nota-se mais quando reparamos que, sempre que não estamos com os nossos amigos, estamos sempre a falar deles. É bom dizer bem de um amigo, sem que ele venha a saber que dissemos. E ter a certeza que ele faz o mesmo, pensando que nós não sabemos.
A amizade vale mais que a razão, o senso comum, o espírito crítico e tudo o mais que tantas vezes justifica a conversação, o convívio e a traição. A amizade tem de ser uma coisa à parte, onde a razão não conta. Ter um amigo é como ter uma certeza. Num mundo onde certezas, como é óbvio, não há.
.: De Olhos Fechados :.
Concede-me Senhor, a graça de ser bom,
De ser o coração singelo que perdoa,
A solícita mão que espalha, sem medidas,
Estrelas pela noite escura de outras vidas
E tira d´alma alheia o espinho que magoa.
.: :.
"És tu! És tu! Sempre vieste, enfim!
Oiço de novo o riso dos teus passos!
És tu que eu vejo a estender-me os braços
Que Deus criou pra me abraçar a mim!
Tudo é divino e santo visto assim...
Foram-se os desalentos, os cansaços...
O mundo não é mundo: é um jardim!
Um céu aberto: longes, os espaços!
Prende-me toda, Amor, prende-me bem!
Que vês tu em redor? Não há ninguém!
A Terra? - Um astro morto que flutua...
Tudo o que é chama a arder, tudo o que sente,
Tudo o que é vida e vibra eternamente
É tu seres meu, Amor, e eu ser tua!"
Florbela Espanca
Oiço de novo o riso dos teus passos!
És tu que eu vejo a estender-me os braços
Que Deus criou pra me abraçar a mim!
Tudo é divino e santo visto assim...
Foram-se os desalentos, os cansaços...
O mundo não é mundo: é um jardim!
Um céu aberto: longes, os espaços!
Prende-me toda, Amor, prende-me bem!
Que vês tu em redor? Não há ninguém!
A Terra? - Um astro morto que flutua...
Tudo o que é chama a arder, tudo o que sente,
Tudo o que é vida e vibra eternamente
É tu seres meu, Amor, e eu ser tua!"
Florbela Espanca
(Para os meus pais Adão e Terezinha que completaram 30 anos de casados. Pela inspiração, pelo carinho, pela presença. Por ser... Obrigado)
.: Fragmentos :.
"Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.
Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.
O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres."
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.
Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.
O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres."
.: Fragmento :.
Que estranho destino é o meu que apenas me consente paixões ardentes e me faz esgotar em amores improváveis.
.: O mundo ou eu: um de nós segue à contramão :.
Pensando bem... somos ambos! Ando à contramão do mundo, que anda à contramão de mim. E as coisas vêm, assim, acima do limite de velocidade, em sentido contrário, em direção nem um pouco defensiva.
Defendo-me como posso, procuro um lugar no acostamento, mas não há, nesta pista, lugar em que se esteja seguro. Ligo o pisca, uso o cinto, respeito os limites (principalmente os meus), mas assim pareço um alienígena na via pública deste orbe sem lei. Os carros vêm e batem em mim. E motos, bicicletas, pedestres, caminhões, ônibus, naves espaciais, sapos-boi, cobras e lagartos... toda sorte de coisa que se mova e que possa provocar desordem no trânsito e alguma ojeriza, que não há como não enjoar nesta viagem.
O cinto de segurança amarra, o airbag sufoca e o pára-choque dá choque. Mas, mesmo assim, sigo à contramão do mundo, que ele está à contramão de tudo que valorizo. E dou carona a quem quiser e merecer, pois, cá dentro do meu carro, a vida ainda é bela e a rádio toca canções de amor.
Defendo-me como posso, procuro um lugar no acostamento, mas não há, nesta pista, lugar em que se esteja seguro. Ligo o pisca, uso o cinto, respeito os limites (principalmente os meus), mas assim pareço um alienígena na via pública deste orbe sem lei. Os carros vêm e batem em mim. E motos, bicicletas, pedestres, caminhões, ônibus, naves espaciais, sapos-boi, cobras e lagartos... toda sorte de coisa que se mova e que possa provocar desordem no trânsito e alguma ojeriza, que não há como não enjoar nesta viagem.
O cinto de segurança amarra, o airbag sufoca e o pára-choque dá choque. Mas, mesmo assim, sigo à contramão do mundo, que ele está à contramão de tudo que valorizo. E dou carona a quem quiser e merecer, pois, cá dentro do meu carro, a vida ainda é bela e a rádio toca canções de amor.
.: Vida Dupla :.
.: Se existe amor certo é o amor às palavras. Confesso, aguardando penosa e justa penitência, que às vezes não consigo amar as palavras. Parece que se as palavras não existissem para chamar às coisas feias e desconfortáveis, as coisas feias e desconfortáveis não existiam. Oh, estupidez, claro que existiam e se não houvessem palavras para lhes chamar, decerto seriam infinitamente inventadas. Mas amar as palavras tem um enorme perigo. É fazer a vida andar atrás das palavras só porque elas são bonitas ou soam bem :.
.: O que restou da criança :.
Eu nasci com os pés tortos mas, com o passar dos anos, aprendi a pisar firme para escorregar menos.
Nasci cheio de medos, mas aprendi a controlar o choro e a esbravejar discursos de coragem para não demonstrá-los.
Aprendi a falar rápido e a andar rápido, mas demorei muito para sorrir.
Eu parecia frágil. Eu sou frágil. Superei a falta de força física com a aparência de pessoa forte.
A maior parte das pessoas me assutava, mas olhei tanto pra elas que percebi que elas tinham tanto medo quanto eu.
Enlouqueci durante muitos anos com a falta de respostas, mas criei minhas próprias verdades para sofrer menos.
Eu me sentia preso, amarrado em laços umbilicais. Precisei desatar os nós e fugir um pouco, para descobrir que alguns vínculos são eternos e que podem ser menos prejudiciais do que julgamos.
Eu quis crescer, sempre quis ser gente grande. E, na tentativa desesperada de olhar nos olhos do destino, cresci tão rápido que do passado só guardei cicatrizes
Nasci cheio de medos, mas aprendi a controlar o choro e a esbravejar discursos de coragem para não demonstrá-los.
Aprendi a falar rápido e a andar rápido, mas demorei muito para sorrir.
Eu parecia frágil. Eu sou frágil. Superei a falta de força física com a aparência de pessoa forte.
A maior parte das pessoas me assutava, mas olhei tanto pra elas que percebi que elas tinham tanto medo quanto eu.
Enlouqueci durante muitos anos com a falta de respostas, mas criei minhas próprias verdades para sofrer menos.
Eu me sentia preso, amarrado em laços umbilicais. Precisei desatar os nós e fugir um pouco, para descobrir que alguns vínculos são eternos e que podem ser menos prejudiciais do que julgamos.
Eu quis crescer, sempre quis ser gente grande. E, na tentativa desesperada de olhar nos olhos do destino, cresci tão rápido que do passado só guardei cicatrizes
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Eu sem Mim
Eu costumo dizer que odeio clichês mas é mentira. Pareço revoltado ás vezes, mas não sou. Se alguém disser que me viu de pankake branco no MadameSatã nego até a morte! Leio muitas coisas que não entendo, mas leio. Vivo. Não sou sincero o tempo todo porque a maioria das pessoas prefere ser enganadas, mas sou leal a aqueles que me são queridos.. faço de acordo com o gosto do freguês. Não nego o que já fiz. Me orgulho de minhas experiências. Adoro, quando posso, assassinar a ortografia, minha linguagem é coloquial, mas estou preso à linguagem padrão pelo resto de meus dias! Tenho orgulho dos meus erros que corrigí e vergonha daqueles que não pude consertar. Apesar de afirmar que não creio em nada além da matéria e das ondas eletro magnéticas, ás vezes tenho medo de ficar só em casa de noite. Não acredito em verdades absolutas. É tão difícil conquistar o meu amor quanto conquistar o meu ódio, mas não sou uma pessoa indiferente. Acredito em sonhos, mas não em seus significados. Tenho bom gosto musical.. partindo do meu referencial! ando achando que estou meio louco. saber que tudo é efêmero me incomoda. Mas aceito.Gosto de moda mas odeio modismos, detesto o conceito das marcas. Amo filosofia, literatura clássica, arte moderna, a poesia abstrata de Byron, o realismo hediondo de Augusto dos Anjos e arquitetura gótica. Mas abstracionismo demais me irrita. Minha paixão maior em dias em que se ama uma pessoa desconhecida pelo conceito físico perfeito, uma suposição de bom caráter e por ser exoticamente interessante, tem sido meu aprendizado acadêmico e impessoal. Vivo um amor na forma mais plena possível. Aceito a ignorância mas tenho pca paciência com burrice. Política ocupa boa parte dos meus pensamentos e guiam meus passos em todos aspectos. Curiosamente Nietzche e Marx estão me aconselhando em todas as fases que já passei !!! Amigos não são tudo na minha vida, mas são parte fundamental dela. Amo minha família incondicionalmente. Não costumo comer carne de porco e odeio cheiro de leite fervido. Mas tomo leite ninho com nescau dos dois anos de idade até os dias atuais! e no mesmo copo!!! Adoro pão integral de cenoura com nutella!! Me orgulho de minha juventude, mas não costumo gostar de pessoas jovens. Acho que as vezes não acredito em Deus, antes tinha certeza. Não acredito em religião. Tenho cicatrizes que ainda doem. Não assisto comédias. Meu vício por cinema me faz passar muitas vezes por idiota. Tenho defeitos vergonhosos, ser mimado sempre foi a praga na minha vida! mas sei que também tenho qualidades significativas. Passei a acreditar em amor á primeira vista recentemente, agora estou certo que não acredito em amor à distância. Gosto de abraços sinceros. Valorizo quem merece, e procuro sempre construir relações "ad aeternum". Nunca estive solteiro por mais de 2 meses. Desprezo falsos pudores e falsa modéstia. Não leio horóscopo e não acredito em astrologia mas o meu signo - Leão - diz quase tudo sobre a minha personalidade. Decorei a ordem das preposições, as páginas dos trechos que mais gostei dos meus livros preferidos, letras de músicas, poemas e números de telefones que não ligo mais - sou compulsivo no que gosto até enjoar. Incisivo nas minhas opiniões ao ponto de incomodar; mas apenas incomodo aqueles que não respeitam opiniões contrárias. A vaidade é o pecado que mais cometo no meu dia a dia. Extremamente anti-social quando em ambiente hostil, antipático é o que dizem aqueles que me conhecem só de vista, manso demais e covarde aqueles que me conhecem bem!!! introspectivo. Odeio ser objeto de julgamentos por pessoas incompetentes para isso. Aprendí que não sei viver só, e que o ódio, a raiva e sentimentos afins é a única coisa capaz de fazer eu expressar meus reais sentimentos , como esse texto! Já fui muitos, hoje sou poucos, espero que chegue logo um dia em que eu possa ser apenas eu, e tudo que isso implica...
quinta-feira, 12 de julho de 2007
.: Veja se você se lembra do que estou falando :.
Foi-se o tempo das amizades de infância, firmado pela eternidade, onde apenas pelo olhar se estabelecia uma comunicação, em que as confidências seguiam ao túmulo.Não sei devido ao quê exatamente, mas tenho meus palpites. Acredito que esse excesso de informação desse mundo globalizado em que precisamos nos superar a todo o momento, nos falta tempo para o diálogo sincero, o ombro amigo, abraço forte, as risadas descompromissadas.A vida diária nos afasta das pessoas de tal maneira que quando percebemos não há mais assunto e apenas um "oi" começa e encerra a conversa. Fazemos até algumas amizades que agora tem nomenclatura específica: amizade de balada, amizade de trabalho, amizade de faculdade, amizade colorida, não se vê mais amizade de vida.Mandamos e-mails generalizados para não esquecer de ninguém, criamos vínculos digitais para não perdemos a solidão.Se um amigo diz ao outro que o ama, pode ser mal interpretado, por isso, prefere calar-se.Os valores vão se perdendo diante de tanta violência, desconfiança, oportunismo e nos tornarmos cada vez mais seres solitários.Precisamos rever nossas vidas, abrir o coração, procurar os velhos amigos, criar novos, sendo confiáveis, desavergonhados do amor, aceitar as pessoas como elas são e respeitar as crenças, os limites, os ideais. Tenho certeza que assim seremos mais felizes.
.: Lain Casa :.
… e naquela casa, era a casa dela. E nada, depois que a vi pela primeira vez e ninguém que eu conheci depois conseguiu me deixar tão assustado e confuso. Porque ninguém que conheci me fez sentir tão certo… tão inseguro… tão importante e tão insignificante...
.: Pensando bem eu penso em nós :.
...eu tava aqui tentando não pensar no teu sorriso, mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido, e te liguei, me encontro tão ferido, mas te vejo ai também em carne viva...
...será que não tem jeito?
...esse amor ainda nem nasceu direito pra morrer assim...
...será que não tem jeito?
...esse amor ainda nem nasceu direito pra morrer assim...
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
.:Meus Desertos:.
Meus desertos tem flores
Eu não mentiria se afirmasse
Que as melhores flores
Que trago em mim
Estão nos meus desertos
Pois é neles que moram
Minhas verdades
E neles que estão expostas
As minhas mentiras.
Nos meus desertos
Estão as coisas que sou.
Mas nem todos tem olhos
Para ver e entender
As flores dos desertos
Apenas enxergam as flores catalogadas
Sentem apenas o aroma
Para os quais foram programados.
Como podem dizer da beleza
Aqueles que adoram padrões ?
Como podem ver a vida
Os que só conseguem ver
Coisas e fatos para os quais
Tiveram suas visões adestradas ?
Meus desertos tem flores
E me parece natural que vivendo
Entre humanos
Elas tenham espinhos.
Flores não são para todos
Só para aqueles que sabem
Que também tem seus desertos.
By Sir Ale Max
Eu não mentiria se afirmasse
Que as melhores flores
Que trago em mim
Estão nos meus desertos
Pois é neles que moram
Minhas verdades
E neles que estão expostas
As minhas mentiras.
Nos meus desertos
Estão as coisas que sou.
Mas nem todos tem olhos
Para ver e entender
As flores dos desertos
Apenas enxergam as flores catalogadas
Sentem apenas o aroma
Para os quais foram programados.
Como podem dizer da beleza
Aqueles que adoram padrões ?
Como podem ver a vida
Os que só conseguem ver
Coisas e fatos para os quais
Tiveram suas visões adestradas ?
Meus desertos tem flores
E me parece natural que vivendo
Entre humanos
Elas tenham espinhos.
Flores não são para todos
Só para aqueles que sabem
Que também tem seus desertos.
By Sir Ale Max
.:Só queria falar isso:.
quanto mais nos conhecemos, mais vemos que o que realmente fomos não significa nada, pois a cada descoberta se evidencia não só a angustia do não saber e do não viver mas também a ansia de querer ser aquilo que esta descobrindo o que é....
Quando começamos a medir e pesar nossos sentimentos, não vamos a lugar nenhum. Haverá sempre uma luta cerrada entre o coração que quer viver e a razão que mede conseqüências. Medindo dificuldades, não fazemos nada.
falei
Quando começamos a medir e pesar nossos sentimentos, não vamos a lugar nenhum. Haverá sempre uma luta cerrada entre o coração que quer viver e a razão que mede conseqüências. Medindo dificuldades, não fazemos nada.
falei
.:Solidão:.
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...
Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma...
Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...
Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma...
.:Meus Amigos:.
Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que senta e espera a chegada da lua cheia. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que senta e espera a chegada da lua cheia. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
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